14.4.13

Amans*

Brotou no céu o esplendoroso círculo de fogo
aquecendo tudo 
e beijou a minha boca

Na hora do almoço o Sol coube no meu abraço
e então, carinhoso, lambeu meus cotovelos

Antes de partir, ele chegou-se em mim
esquentou meu ventre
e soprou no meu pescoço

Na noite esclarecida
Céu de Brigadeiro em modo noturno
a Lua Crescente sorriu
enquanto aqui embaixo meus olhos eram nuvens carregadas

No amanhecer doutro dia
olhei pra cima 
e vi dois arcos-íris encurvados sobre a cidade






*Do latim, significa “Amante”: aquele que ama

3.4.13

Sótão

-tem um lugar aqui nessa cidade que nunca chove
e nunca amanhece
e nunca nada muda
e só eu sei onde fica -
ela sussurrou entre os dentes que rangiam de frio

puxou-o pela manga da blusa
que tinha um desenho de bergamota no centro
arrastando-o em máxima velocidade
por todos os setenta e dois degraus
até o último andar da casa

-vês?

o teto era eterna noite
um bilhão de estrelas que dançavam

e o guri bonito de olhos bondosos
cabelos compridos e barba mal feita
confundiu todos os brilhos enquanto lacrimejava
e sussurrava pra todas as deusas e todos os deuses
-ela transborda alegrias pra todos os lados
derrama e encharca as paredes de todos os prédios
se aninha no meu ombro e espera meu beijo na testa
que eu não tenha medo de tanto amor
que eu não desperte nunca, por favor...