31.5.15

dois, cinco

sonhei a gente deitado lá naquela grama daquela foto que um dia eu te mostrei
enrolei meus dedos nos teus cabelos
e adormeci
debaixo de um sol explodido de luz
que tem aquecido as paredes do meu quarto mal-iluminado

durante o dia eu deixei pra lá o que teria sido importante resolver
e o clima (me) enlouqueceu com suas variações
chuva e sol se encontravam ocasionalmente
não vi nenhum arco-íris, no entanto
(talvez eu não precise de um, pelo menos por agora
se imagino minha vida como um prisma
separando a luz do sol que explode no meu quarto
em suas cores do espectro
tudo ao meu redor tem se mostrado colorido
até mesmo quando chove)

tropecei em alguém pelo caminho em algum desses dias que se foram
me virei pra olhar pra esse alguém e sorri
só queria dizer que, puta merda, eu senti saudade
permaneço sentindo saudade, aliás
(como vai a contagem dos dias?)

e eu to transbordando de amor e afeto
tem passos conhecidos percorrendo (de novo) algumas trilhas do meu mundo
esse meu mundo que tenho desconstruído, destruído e reformado
por dias e meses e anos
não tem mais portas porque as dispensei de seu emprego - não fecho mais nada em mim
nem telhado porque com tanta ventania ele não suportou
nem janelas - ou as deixo abertas o tempo todo, pelo menos
sempre gostei de janelas
o piso é de grama e flor
uns azulejos que desenhei e colori
daqui até a praia mais próxima são 40 minutos de bicicleta

quatro anos atrás te contei que não conseguia falar dessas coisas
porque eu não me deixava sentir essas coisas
mas essas coisas sempre foram ditas por mim
só que de um jeito diferente
e hoje escrevo um poema pra ti (mais um)
não escondi teu nome nele
porque tu sabes
a gente sabe


meu gato se enrosca nas minhas pernas e diz
que vai chegar um tempo em que
a gente vai estar deitado lá naquela grama daquela foto que um dia eu te mostrei




nós dois e cinco sóis
dentro de um quarto numa torre
olhando pro céu