5.2.10

Despertar

Eu olho lá pra fora, a tentar puxar pra mim o vento fraco que mexe as toalhas estendidas ao longo do varal de cactus. O calor em demasia afetou meu sono, mas foi só o meu: o barulho da hélice dos ventiladores acolhe com ritmo os roncos do quarto ao lado. A madeira das paredes parece contorcer-se em lamúrios de suor, e desde o amanhecer pequenos pássaros coloridos voam pelo céu sombrio a procurar a brisa que há muitas horas resolveu esvair-se. Algo caminha sobre o telhado, creio que é o gato azul da vizinha; pobre bichano, deve estar com tanta sede quanto as flores vermelhas já cinzas e sem vida.