porque domingo sempre foi dia de nós
na segunda é que a gente (se) desfazia
iam junto as roupas espalhadas pelo chão da morada
a confusão de lençóis
e a trança desajeitada nos meus cabelos
que tu insistia em trançar mesmo sem ter habilidade nenhuma
da janela eu te via cruzar a porta que ainda tem tinta descascando
ela só te sentia de novo seis dias depois
segunda era dia de sorriso ao contrário
os meus pés se esticavam na cama mas não encontravam os teus
quem se encaixava em mim pra dormir eram as cobertas
o travesseiro acolhia os lamentos meus
eu penso em ti muito mais do que gostaria de pensar
mandei imprimir calendários com mais domingos que o tradicional
espalhei pela cidade e escutei os velhos e mesmos comentários
sobre minha (in)sanidade e (des)obediência
eles me odeiam
mas tu não e no domingo tu vens
ontem amanheci domingando, mas era terça
hoje eu sinto e sonho que é domingo também
domingo em latim é dia do Senhor
mas pra quem é pagão é dia do Sol
às vezes eu prefiro a chuva
e no domingo tu vens
9.4.14
31.10.13
acende a lâmpada incandescente do quarto
liga a máquina de costura e junta aqueles trapos
esses tantos fios coloridos não farão um conjunto destoante,
não te preocupa
os movimentos às vezes parecem uma dança
a sincronia da agulha, do empurrar do tecido, da respiração
tu me diz bonita costurando os retalhos
não te esquece da água fervendo na cozinha
desliza a cortina leve pra frente da janela aberta
o vento frio vai ondular o tecido
enquanto a gente divaga
e devaneia
sonha
me enrola naquele cobertor que tu tem desde que era criança
ajeita meu cabelo do jeito que tu gostar
me sorri com os lábios, os olhos e a alma
sonha
esses tantos fios coloridos não farão um conjunto destoante,
não te preocupa
os movimentos às vezes parecem uma dança
a sincronia da agulha, do empurrar do tecido, da respiração
tu me diz bonita costurando os retalhos
não te esquece da água fervendo na cozinha
desliza a cortina leve pra frente da janela aberta
o vento frio vai ondular o tecido
enquanto a gente divaga
e devaneia
sonha
me enrola naquele cobertor que tu tem desde que era criança
ajeita meu cabelo do jeito que tu gostar
me sorri com os lábios, os olhos e a alma
sonha
6.10.13
Claustrofobia
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
Dessa vez acho que quebrei de vez aquelas costelas
que eu sempre reclamava de dor pra ti
acho que a queda foi planejada profissionalmente
Eu não quero que essa falta de empatia me pareça algo normal
essa que vem acompanhada geralmente de mais uma daquelas
"não fica desse jeito"
"foi sem querer"
quando a pessoa sabe desde o início que vai te atirar num precipício
E esse monte de lã saiu de um blusão
que a gente desmanchou
pra enrolar tudo de novo e guardar durante a primavera
(acho que enrolei minhas pernas, braços, pensamentos todos também)
Dessa vez eu acho que prendi um beija-flor numa gaiola
pra cuidar dele
mas
ele tá morrendo
wants to get out
but I'm too tough for him
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
Dessa vez acho que quebrei de vez aquelas costelas
que eu sempre reclamava de dor pra ti
acho que a queda foi planejada profissionalmente
Eu não quero que essa falta de empatia me pareça algo normal
essa que vem acompanhada geralmente de mais uma daquelas
"não fica desse jeito"
"foi sem querer"
quando a pessoa sabe desde o início que vai te atirar num precipício
E esse monte de lã saiu de um blusão
que a gente desmanchou
pra enrolar tudo de novo e guardar durante a primavera
(acho que enrolei minhas pernas, braços, pensamentos todos também)
Dessa vez eu acho que prendi um beija-flor numa gaiola
pra cuidar dele
mas
ele tá morrendo
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