Os cabelos desciam-lhe graciosos pelas costas até o quadril; originalmente cacheados, agora eram lisos, escorridos, desgrenhados, mal-cuidados, sujeitados às intempéries da cidade grande cheia de prédios. As orelhas de tamanho médio, esteticamente perfeitas. As maçãs do rosto muito magras, nunca coradas. O nariz arrebitado e muito especializado em sentir o cheiro do primeiro grande amor da sua vida: bebida alcoolica contida em garrafas de vidro ou de plástico. Os olhos eram pequenos, pálpebras pesadas, dois círculos escuros desprovidos do poder de expressão, só brilhavam se refletiam os neons alucinógenos que iluminavam as fachadas das lojas, que nunca estavam de portas abertas pra ela; só os bares a acolhiam. Os bares e os homens.
Mas ela só amou duas vezes durante sua passagem pelo mundo, aliás. O álcool e um só homem.
Do homem teve dois filhos. Desde a primeira conversa veio a certeza de querer engravidar dele, já que ele pagou tão gentilmente qualquer pedaço de massa pingando azeite fétido e com a carne por dentro fria, dura e semicrua, mas que agradou o paladar pouco refinado. Do restaurante de estrada foram para uma casa qualquer e seis meses depois saía dela uma criança morta, que ela jogou na privada do barraco onde foram morar e deu a descarga.
O segundo filho a fez sofrer nove meses inteiros e ainda mais duas semanas. Ela quase morreu segurando o guri dentro do ventre, se fez inumana para tanto, mas tinha um propósito: "assim o cérebro dele ficará maior e ele será mais inteligente do que todas as crianças daqui e eu terei pelo menos um orgulho na vida". O sonho se desfez assim que o pequeno Einstein nasceu, deformado e sem as mãos.
Raivosa, matou-o. E fez do cérebro superdesenvolvido a janta da noite que sorria de escárnio, toda estrelada.
*Nome yidish, de origem germânica, significa "amada". Leeba também é usado em Israel, com origem hebraica, significando "coração".
25.8.11
1.8.11
Constate
Há uma mulher que mora no fim da rua
sua casa é desbotada e tem cheiro de camomila
Ninguém entra lá e quando a encontram junto ao portão
apenas perguntam, desviando o olhar,
(porque os mais velhos mandaram assim fazer)
"Olá, dona Louca, como está?"
E ela responde com um sorriso que diz
"Só estou querendo fazer sangrar de tristeza
o coração ansioso de quem espera
por alguém que não virá"
sua casa é desbotada e tem cheiro de camomila
Ninguém entra lá e quando a encontram junto ao portão
apenas perguntam, desviando o olhar,
(porque os mais velhos mandaram assim fazer)
"Olá, dona Louca, como está?"
E ela responde com um sorriso que diz
"Só estou querendo fazer sangrar de tristeza
o coração ansioso de quem espera
por alguém que não virá"
2.7.11
26.6.11
My tears dry on their own
Faz sol ali através do vidro sujo da janela, mas alguém notou o quanto eu chovi? Escorre outra lágrima e eu seco e finjo outro sorriso e ensaio meu cada vez mais certo adeus ao céu azul.
As notas e letras se apresentam diante de mim como boas companhias desde que eu aprendi a ler partituras e palavras, no entanto isso muitas vezes talvez não signifique que eu só precise de papel.
Eu tenho planos e isso não me deixa melhor. Porque meu esforço em te manter bem não é reconhecido e ele é enorme, e nunca é planejado: é natural. Porque pater não sabe o quanto me mata ver tua feição mudar por causa de planos nossos desfeitos sem motivos. Porque eu ouço as portas fechando e estou sozinha outra vez, sentada em um sofá no canto da sala, e não é essa a solidão que me agrada. Porque eu sou tão insensível ao ponto de me desfazer em lágrimas ao perceber outra vez que não sou parte do teu mundo.
Choro sozinha, choro e chovo sempre sozinha. E seco as gotas agridoces que escorrem de meus olhos e finjo outro sorriso e ensaio meu cada vez mais certo adeus ao céu azul.
All I can ever be to you
Is a darkness that we knew
And this regret I got accustomed to...
As notas e letras se apresentam diante de mim como boas companhias desde que eu aprendi a ler partituras e palavras, no entanto isso muitas vezes talvez não signifique que eu só precise de papel.
Eu tenho planos e isso não me deixa melhor. Porque meu esforço em te manter bem não é reconhecido e ele é enorme, e nunca é planejado: é natural. Porque pater não sabe o quanto me mata ver tua feição mudar por causa de planos nossos desfeitos sem motivos. Porque eu ouço as portas fechando e estou sozinha outra vez, sentada em um sofá no canto da sala, e não é essa a solidão que me agrada. Porque eu sou tão insensível ao ponto de me desfazer em lágrimas ao perceber outra vez que não sou parte do teu mundo.
Choro sozinha, choro e chovo sempre sozinha. E seco as gotas agridoces que escorrem de meus olhos e finjo outro sorriso e ensaio meu cada vez mais certo adeus ao céu azul.
All I can ever be to you
Is a darkness that we knew
And this regret I got accustomed to...
Assinar:
Postagens (Atom)