Hoje eu resolvi falar de um dos meus maiores horrores desde sempre: o telefone. É, pode parecer engraçado ou nonsense, mas eu tenho pavor ao telefone. De atender o telefone. De ver um telefone. De lojas de telefone. Do toque do telefone. Brr.
Tá, eu exagerei, não é desde sempre que eu faço de tudo pra passar longe dessa horripilante invenção humana. Creio que essa fobia (existe uma fobia pra isso? Google it... Existe! Telefonofobia, mas eu não tenho medo de morrer caso atenda o telefone. Eu nem atendo...) veio de uma vez que eu atendi o telefone e era minha tia. Digo, uma das minhas tias, porque eu tenho uma cabeçada de tia. Mentira, tenho só 4, mas ainda existem as tias-avós, as tias-vizinhas e por aí vai. Continuando: essa tia que me ligou, tem uma irmã gêmea. Eu, na minha ingenuidade de 4 anos, acreditava que suas vozes eram iguais no telefone (ainda acredito), e atendi na maior alegria dizendo "ooooooi, tia Juuuuli!". Eu só lembro de escutar risadas. Risadas descontroladas. Era a tia Jana! Não a culpo por ter rido, nem pela minha fobia, mas eu fiquei traumatizada. Vai que qualquer dia desses eu atendo o telefone e a pessoinha do outro lado da linha fala "Adivinha quem éééé?"? Eu me defenestro! É quase certo que foi aí que minha fobia começou, porque não tenho nenhuma outra recordação minha de correr desesperadamente gritando EU ATENDO todas as vezes que o telefone tocava.
Não vejo sentido em usar o telefone hoje em dia. Existe a internet, Jesus! Não citarei a televisão, porque nem assisto. E, se assisto, critico tudo que vejo e escuto, e aí quem está junto comigo me chuta de perto. Minhas amigas vivem me repreendendo por nunca atender meu celular. Sim, eu tenho um celular, mas eu o mantenho perto pra casos extremos do tipo fui-pro-Paraguai-e-nunca-mais-voltarei, ou seja: jamais! Eu finjo que esqueço ele dentro da última gaveta do guarda-roupa, mas alguém sempre o encontra e me entrega. Eu inocentemente o esqueço em cima da mesa dos restaurantes em que vou, mas a garçonete é gentil demais pra pegá-lo e vendê-lo em algum canto qualquer, então ela me chama e me avisa que eu esqueci o celular sobre a mesa.
Desconheço o inventor do telefone, mas maldito seja. Brincadeira. Mas ainda tenho a esperança de um ataque alienígena que venha somente para acabar com essas coisinhas sonoras bizarras. E aí, então, iniciará a era chamada "paz ouvidal", pelo menos pros casos de telefone. Ainda existe o funk, o sertanejo, o pagode, Calypso e Cine.
9.1.10
4.1.10
Asas
Mudar de cidade é algo estarrecedor e ao mesmo tempo excitante. Não digo só das praias, ou das trilhas, ou dos lugares legais daqui. Eu quero dizer dos detalhes. Detalhes do tipo os donos da padaria aqui perto de casa, que são gentis e sorriem sinceramente às 6h da manhã, quando vou comprar pão de queijo. E o vento sul que bate de tardinha e entra violento pela janela, e faz as pipas dos guris do morro voarem bem lá no alto. As luzes da ponte de noite. Os ocasos, que nos fazem parar por alguns instantes e sair desse mundo louco.
Eu realmente perdi algum tempo olhando certas coisas pelo lado errado do negócio. Mas sempre há um sorriso escondido em algum canto por aí, e se é difícil aceitar as coisas agora, talvez o tempo mostre se isso é certo ou errado. Daqui a um minuto tudo pode estar diferente. E quem garante a tua felicidade não é a balconista da padaria ou o sol da manhã, mas eles podem te ajudar a sorrir. :)
Eu realmente perdi algum tempo olhando certas coisas pelo lado errado do negócio. Mas sempre há um sorriso escondido em algum canto por aí, e se é difícil aceitar as coisas agora, talvez o tempo mostre se isso é certo ou errado. Daqui a um minuto tudo pode estar diferente. E quem garante a tua felicidade não é a balconista da padaria ou o sol da manhã, mas eles podem te ajudar a sorrir. :)
28.12.09
Vulcano
01:04
Mais uma volta do ponteiro maior no relógio. Outro minuto. 01:05. E nunca entendo o que acontece comigo. Um daqueles dias em que eu pareço completamente impossível de agradar e qualquer coisa pra mim é digna do meu desprezo instantâneo.
Brócolis* disse que "Tomate* é rico, pena que é feio".
Quando eu estou nesse dia-de-crítica, que eu apelidei carinhosamente de "vulcano", eu vejo em tudo ao meu redor o conjunto de coisas que me são insuportáveis.
1 - Ser rico. Afinal, qual a merda da vantagem de ser rico? Ter tênis legais? Vestir as melhores roupas? Ter um carro e uma casa e uma tv de plasma? Eu sei que vivemos em uma sociedade capitalista onde é isso mesmo que importa, mas não dá pra pensar diferente? Ou tentar ser diferente e não dar bola pra capacidade monetária de uma pessoa? Às vezes eu sinto muita tristeza por ela ter sido influenciada a esse ponto. E por vivermos em uma sociedade tão decadente.
2 - Ser feio. É uma corrente à qual as pessoas se prendem e esquecem de quebrar, ou não têm capacidade suficiente pra isso. Porque é desumano ignorar ou tratar mal uma pessoa porque ela é feia. E, seriamente, o que é "feio"? Não gosto de usar esse termo, porque quando se trata de beleza ou feiura as pessoas têm dentro de suas próprias cabeças o definido de cada uma dessas palavras.
Bem simples: isso eu acho que é bonito, isso eu acho que é feio. Prontoacabou, resolvido o negócio.
01:36.
* Nomes fictícios, perceptivelmente.
Mais uma volta do ponteiro maior no relógio. Outro minuto. 01:05. E nunca entendo o que acontece comigo. Um daqueles dias em que eu pareço completamente impossível de agradar e qualquer coisa pra mim é digna do meu desprezo instantâneo.
Brócolis* disse que "Tomate* é rico, pena que é feio".
Quando eu estou nesse dia-de-crítica, que eu apelidei carinhosamente de "vulcano", eu vejo em tudo ao meu redor o conjunto de coisas que me são insuportáveis.
1 - Ser rico. Afinal, qual a merda da vantagem de ser rico? Ter tênis legais? Vestir as melhores roupas? Ter um carro e uma casa e uma tv de plasma? Eu sei que vivemos em uma sociedade capitalista onde é isso mesmo que importa, mas não dá pra pensar diferente? Ou tentar ser diferente e não dar bola pra capacidade monetária de uma pessoa? Às vezes eu sinto muita tristeza por ela ter sido influenciada a esse ponto. E por vivermos em uma sociedade tão decadente.
2 - Ser feio. É uma corrente à qual as pessoas se prendem e esquecem de quebrar, ou não têm capacidade suficiente pra isso. Porque é desumano ignorar ou tratar mal uma pessoa porque ela é feia. E, seriamente, o que é "feio"? Não gosto de usar esse termo, porque quando se trata de beleza ou feiura as pessoas têm dentro de suas próprias cabeças o definido de cada uma dessas palavras.
Bem simples: isso eu acho que é bonito, isso eu acho que é feio. Prontoacabou, resolvido o negócio.
01:36.
* Nomes fictícios, perceptivelmente.
24.12.09
Três pequenos pontos de luz
Uma animada discussão à mesa, acompanhada de amendoins salgados, chopp e suco de laranja. Propagandas antigas, nadadores e medalhas na tv, mulheres com bigode, exercícios físicos e igreja católica.
*
Folhas secas próximas ao muro de cor estranha e, pelo jeito, muito mal-pintado. Folhas secas, mas não o suficiente para gritarem alto a dor de serem esmagadas. Amarelas, rachadas do calor e do sol, carcomidas pelos insetos.
*
I de Inúmeras lágrimas, mas também inúmeros sorrisos, uma vida inteira juntas, brigas que não significam nada. R de Raridade, como tu és, o que representas pra mim, aquele velho clichê de "joia rara", porque é assim mesmo, e eu te amo. G de Gratidão, pelas noites de risadas, pela compreensão, pelo coração aberto pra mim e pelo companheirismo. V de Viagens, idas e voltas, despedidas e chegadas regadas a abraços, sorrisos e perfumes bons. E T de Talvez, porque essa palavra confunde um pouco a nossa vida, embora não interfira em nada no que eu sempre quis pra gente: um M, de Melhor, as melhores coisas e sentimentos e coincidências que a vida pode oferecer.
Feliz Natal pra nós. :)
*
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Folhas secas próximas ao muro de cor estranha e, pelo jeito, muito mal-pintado. Folhas secas, mas não o suficiente para gritarem alto a dor de serem esmagadas. Amarelas, rachadas do calor e do sol, carcomidas pelos insetos.
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I de Inúmeras lágrimas, mas também inúmeros sorrisos, uma vida inteira juntas, brigas que não significam nada. R de Raridade, como tu és, o que representas pra mim, aquele velho clichê de "joia rara", porque é assim mesmo, e eu te amo. G de Gratidão, pelas noites de risadas, pela compreensão, pelo coração aberto pra mim e pelo companheirismo. V de Viagens, idas e voltas, despedidas e chegadas regadas a abraços, sorrisos e perfumes bons. E T de Talvez, porque essa palavra confunde um pouco a nossa vida, embora não interfira em nada no que eu sempre quis pra gente: um M, de Melhor, as melhores coisas e sentimentos e coincidências que a vida pode oferecer.
Feliz Natal pra nós. :)
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