15.6.11

Um pouquinho de vida

Noite passada eu e meu irmão caminhamos por umas ruas que foram abandonadas, muito escuras, a luz do poste apresentando os cantos cheiosvazios de tudo, palcos de artistas que ninguém quer aplaudir. Eu e ele muito juntos, andando bem devagar, conversando, ele fumando uns cigarros que supostamente são cheirosos, dando risada das minhas histórias de sábia demais - mas oh, ele sabe, ele sabe tão bem o quão tola que sou...
Assim seguimos tropeçando nas pedrinhas perdidas da rua, eu e ele sentindo falta das nossas plantações de morango atrás de casa, exalando um doce bafo de bebida de baunilha, eu sempre dando uns passos mais rápidos porque os passos dele sempre foram maiores que os meus.

6.6.11

Viciado

A fumaça do que te causa devaneio vem ondulando até meu rosto. Eu respiro, enojado - há quanto tempo estamos nessa sala? - e teus sonhos me alcançam. E eu aceito me inserir neles de bom grado, porque é melhor do que ficar aqui e te ver morrendo, sentado nesse sofá se decompondo.
(Não que o morte me seja má companhia. Me sinto até confortável quando o percebo ao meu redor, e sei que ele gosta de me fazer visitas.
Há muitas pessoas perto de nós. Que bar apertado. Que assuntos fúteis. Tem suor de bebida escorrendo nas paredes. Tua respiração está tão profunda, é quase um ensaio de valsa. Tuas mãos seguram firmes meus braços. Alguém abre a porta, o vento vem da garganta do inferno e cora nossas faces, meu cabelo cobre meus olhos mas eu ainda te enxergo. Teu sorriso me enfraquece e eu oscilo entre sonho e realidade. Sinestésico.

Eu te amo insanamente, tu não vês? Tu, dama que se mata. Que me leva junto. Que acorrenta meu peito ao teu e me sufoca, me ensurdece com teus sussurros melódicos. E somos muito românticos. Tua depressão é linda. Teus planos de abandono de tudo me encantam. E eu não me seguro nesse mundo palpável pra poder ficar contigo, e morrer de tristeza sorrindo.

16.5.11

Solombra - Cecília Meireles

Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,
a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.

Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza.
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.

Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.

Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:

“Agora és livre, se ainda recordas."

15.5.11

From my Mind to your Heart

-Hey waiter, can I have those times with her please? 
I'll be really happy, you see. 
With her, I can always free my mind, 
brings me a smile from side to side. 

 Cross my arms on the back of my head, 
while lying down, looking at the stars, 
all of them remembers her tattoo. 

Is when she arrives at my thoughts saying her kind of stuff. 

 How could I know that goats pee in their beard? 
Ok, it seems really weird. 
Making me laught with things that, 
the others can't understand. 

 Knot your fingers through mine, I can feel that golden ring. 
As we walk with the same steps, Oh God, I'm living that dream. 

 I know we've been apart, 
but some how I felt like you were always by my side 
in all those days that passed by. 

 Do you want to go back to me? I just need to ask you this. 
You are my only kind of girl and that's why I love you the way I do. 

 (Di ♥ - 15.mai.11)