As estrelas ontem se recusaram a aparecer. O neon vermelho da loja do outro lado da rua brilhava de forma sincronizada enquanto ela dormia no sofá. Lá fora, na rua, a chuva começava a cair.
Ela despertou com o barulho dos pingos batendo na janela, e não conseguiu mais adormecer. Ficou deitada no sofá, esperando o sol vir dizer bom dia. Ele não veio.
Agora a música paira pelo espaço quase vazio da sala. Em um canto, junto ao violão, ela chora enquanto tenta cantar. Seu mundo caiu.
25.8.09
9.8.09
Danke für alles
Ele é capaz de escrever poeminhas pra mim no verso de contas e guardanapos. Me ama de um jeito incondicional, me ama quando sou mal educada, me ama quando erro, me ama de cabelo rosa, azul, roxo, castanho e até mesmo careca. Me ensina coisas que eu não aprenderia na escola. Conversa comigo como se tivesse a minha idade, e me faz sentir como se tivesse a idade dele. Me ensinou que o legal é ser diferente, e que eu não preciso ter o que todo mundo tem pra ser alguém melhor. Ele tem milhares de dificuldades e preocupações e mesmo assim se importa com minhas manhas. Ronca enquanto dorme e até faz melodia com isso. Cuidou de mim, riu de mim, me embalou até o sono chegar, me acha linda até mesmo quando eu tenho crise de existência e estou batendo a cabeça na parede. Me dá um abraço bem apertado, um beijo na testa e diz que me ama antes de cada partida. Me dá um abraço bem apertado, um beijo na testa e diz que me ama em toda chegada. Jornalista, escritor, poeta, super-herói, eletricista, encanador, guarda-costas, piadista, inventor, médico, cozinheiro... Tudo isso ao mesmo tempo e em uma pessoa só. Possui o poder de me deixar maluca com um atraso, me tranquilizar só por ouvir a porta abrindo, me fazer feliz como ninguém faz.
Pai, eu te amo muito, msemo qunado as cosias naõ paerçam muito nos sues luagres, e as preocupações, gigantescas. (L)
Pai, eu te amo muito, msemo qunado as cosias naõ paerçam muito nos sues luagres, e as preocupações, gigantescas. (L)
30.7.09
Sueños
O sol brilhou mesmo entre as nuvens escuras da chuva que vinha. Brilhou nas folhas das árvores da praça. Brilhou na grama queimada do frio. Refletiu nas janelas dos prédios e na superfície do mar. Depois, cansou-se. E deu lugar à tempestade, aos raios, à queda da temperatura.
Debaixo do céu chuvoso, iluminado pelos relâmpagos, uma pessoa caminhava pela rua deserta. Se estava perdida ou sem rumo, era impossível saber. Mas sorria.
Debaixo do céu chuvoso, iluminado pelos relâmpagos, uma pessoa caminhava pela rua deserta. Se estava perdida ou sem rumo, era impossível saber. Mas sorria.
17.7.09
Laços
No teu abraço eu esqueço do mundo e da chuva e do frio lá fora. É como se fosse um filtro de tudo de ruim que tenta se aproximar. Nada mais importa desde que eu esteja contigo, e que durante o pouco tempo que eu te veja teus olhos permaneçam fixos em mim. Tua voz rouca e teu riso me fazem crer que não existe coisa melhor pra escutar. O jeito como tu falas, como te vestes, como caminhas, parece me completar cada vez mais. Teus olhos brilhando enquanto cantas pra mim é algo que eu simplesmente não conseguiria descrever. Nossos dedos brincando distraidamente enquanto a conversa paira no ar.
E, então, a partida. Nem muito demorada, nem rápida demais, acontece como se nunca mais fôssemos nos ver. Mas aí chega o dia seguinte e eu noto que a chuva foi embora. Mais um pôr-do-sol pra assistirmos juntos.
E, então, a partida. Nem muito demorada, nem rápida demais, acontece como se nunca mais fôssemos nos ver. Mas aí chega o dia seguinte e eu noto que a chuva foi embora. Mais um pôr-do-sol pra assistirmos juntos.
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